[Coluna Massa] Sai da frente…

"Durante um bom tempo criou-se essa mística de que a ultrapassagem era muito difícil, e que os pilotos que estava disputando o título e os carros de grandes equipes tinham a preferência."

Lembrei-me neste fim de semana de uma imagem que me chamou muito a atenção no ano passado, mas que acredito que não mais acontecerá na Fórmula 1 neste ano. Falo de Alonso, que depois de passar boa parte da corrida de Abu Dhabi em 2010 atrás de Petrov e destarte ter perdido a chance de levar o título, foi reclamar com o piloto russo por não ter dado passagem para o piloto da Ferrari.

Durante um bom tempo criou-se essa mística de que a ultrapassagem era muito difícil, e que os pilotos que estava disputando o título e os carros de grandes equipes tinham a preferência. O nível de risco que se submetia para passar alguém era mínimo, mesmo que a manobra fosse para conquistar um título.

Neste ano o pensamento dos pilotos mudou e muitos fatores contribuiram para isso. Seja a asa móvel, que até de forma covarde facilita as ultrapassagens. O retorno de Schumacher que proporcionou a vários piloto a oportunidade de deixar um quase mito sete vezes campeão para trás ou seja mesmo a hegemonia de Vettel e da Red Bull que acaba levando os pilotos a se arriscarem mais a fim de tentarem melhores resultados.

Mas a grande questão é que Felipe Massa ainda não acordou para essa nova realidade, é impressionante como o brasileiro é somente ultrapassado e dificilmente faz alguma ultrapassagem.

No seu blog Fabio Seixas levanta uma questão interessante: seria o Felipe de hoje o de verdade e o de 2008 teria sido apenas uma força das circunstâncias? Eu particularmente acredito que não. Naquele ano, diversas vezes o brasileiro travou roda com Hamilton, lambeu o muro em Cingapura para ter a pole e mesmo em 2009, quando o carro da Ferrari era extremamente ruim, fez uma boa temporada. E a corrida em que teria maior chance de vencer foi justamente a que o vitimou.

Acho que foi esse fato que foi um divisor de águas na carreira do piloto. É impressionante comparar a sua condução com a do Alonso, por exemplo. O espanhol vai ao limite, se aproxima ao máximo do carro á frente, divide a curva, trava roda… Se alguém achou que a comparação foi injusta, então tomemos como exemplo Webber, que está em uma situação parecida com a do brasileiro, está sendo massacrado pelo companheiro de equipe. Alguém imaginaria  Massa botando de lado na Eau Rouge?

É evidente a conservadorismo do piloto, ao ser fechado por Rosberg tirou tanto o pé que acabou perdendo contato com o pelotão a diante e acabou sendo ultrapassado. E isso aconteceu pelo menos duas vezes nesta corrida.

Uma vez já escrevi que ele não tem mais muito a perder, agora menos ainda. Ele estará garantido na Ferrari até 2012, mas dificilmente será mantido após isso. Para mudar este prognóstico tem que arriscar mais, ser mais ousado. Não fazer besteiras, mas perder 4 posições durante uma corrida não denota características de um bom de talento que mereça guiar em uma equipe de ponta.

Talento Felipe tem, mas ele precisa encontrá-la de novo…

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