[Coluna Massa] – A decisão

A Ferrari sempre foi pintada como uma equipe onde a ética passa longe, que ninguém tem tratamento igual e que sua postura se aproxima da desonestidade. Talvez a postura de seus dirigentes não sejam as das melhores do ponto de vista esportivo, mas nada que seja um puro reflexo de uma empresa que visa os seus objetivos traçados acima de tudo.

Prova maior foi a ordem de equipe da Red Bull para Webber nesta última corrida, que não deixou a dever em nada para as típicas ordens Ferraristas. O caso serviu para mostrar que, quando vale o título as equipes pensam igual. O mérito da Ferrari foi sempre ter sido autêntica.

O que chama atenção foi a maneira como os pilotos reagiram a mesma situação. Felipe relutou por várias voltas. Não lí nada a respeito que ele  tenha questionado as menssagens de de Rob Smedle. Acabou cedendo.

Webber, que já tem um histórico de rebeldia na Red Bull que teve seu ponto alto na corrida turca no ano passado se envolveu em um acidente com Vettel que acabou tirando os dois da prova. Quando venceu há uma ano não perdeu a oportunidade de alfinetar a equipe e neste ano, mesmo tendo um desempenho bem aquém do esperado, simplesmente ignorou a ordem para não ultrapassar Vettel nas últimas voltas da prova Inglesa.

São posições dialmetricamente opostas as dos pilotos. Claro que há circunstâncias que os diferenciam, no caso Felipe estava próximo do último terço da corrida, ainda tinha muitas voltas para fingir que não estava escutando o engenheiro. Outros poderiam argumentar que Webber está no fim de carreira e não tem muito a perder, enquanto o brasileiro é mais jovem e ainda tem alguns anos de corridas.

Sempre vamos achar justificativas, mas acredito que Webber, independente do que lhe motivou, tomou o caminho mais certo, mesmo correndo o risco de ficar a pé no ano que vem. Pensou como piloto, competidor, que vê a oportunidade de vencer, ou de ficar mais a frente, e não fica fingindo que não vê. Tenta, briga. É isso que aquele que está nas arquibancadas quer ver e não corridas com posições decididas no pitwall.

E, aliás, Webber não vai ficar a pé. Horner já sinalizou com sua renovação.

Acredito que Massa não seria demitido da Ferrari, nem que seu contrato fosse rescindido no meio da temporada se ele não tivesse cedido a posição na corrida alemã do ano passado. Maranello ia virar do avesso, Alonso iria chorar horrores, mas depois de algum tempo tudo voltaria ao normal.

Tal atitude não poderia mudar seu tratamento da equipe, nem melhorar seu desempenho na pista, continuando com essas corridas sempre entre os últimos dos primeiros. Mas quem sabe, não poderia mudar sua auto estima e se sentir mais seguro diante de si mesmo, de seu team mate e da própria equipe?

Eu achei que Webber fez a melhor escolha, e você?

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