[Coluna Barrichello] A confiabilidade ainda preocupa

Rubens chegando no circuito de Sepang.

Olá! A madrugada do último domingo marcou a segunda etapa do Mundial de Fórmula 1 2011 e lembrou o quanto ela pode ser imprevisível. Quando se fala em GP da Malásia, algumas coisas são certas: o calor, o desgaste dos pilotos, e a certeza de que ninguém tem a menor idéia do que vai acontecer com os pneus e com o tempo. O “chove, mundo!” de fins de tardes lampurianas… lampurienses… enfim… como era previsto na corrida, não veio e ficamos só na “chuva-desmancha-chapinha”.

Entre as incógnitas que rodeiam o circuito malaio, a Williams, pra mim, foi a maior delas. O FW33 deixou seus dois pilotos a pé novamente e aquela velocidade mostrada nas ultrapassagens de Rubens em Melbourne, ganhando em média uma posição a cada duas voltas (algumas sem utilizar a asa móvel) teimou em não aparecer. Embora o modelo tenha apresentado bom potencial em condições plenas, seu comportamento ainda precisa ser entendido. A confiabilidade [ou a falta dela] ainda tem sido um problema, haja vista que novamente não conseguiu terminar a corrida por problemas na transmissão de marchas. Alguns devem se lembrar que Rubens foi prejudicado nos treinos livres da Austrália por um vazamento de óleo, mas Sam Michael esclareceu que este fato não teve ligação nenhuma com o abandono daquela prova, a equipe apresentou soluções para os problemas de transmissão lá, mas o fato é que o câmbio inovador do FW33 ainda nos tem dado dores de cabeça, que espero pararem por aqui.

Treino Livre de sexta-feira.

Outro fator que ainda precisa ser entendido é o desgaste demasiado dos pneus. Rubinho apontou até para a questão de os pneus duros desgastarem tão ou mais que os pneus macios por conta de “escorregadas” para fora do trilho. De qualquer forma, este último GP serviu para entender se a falta de aderência era decorrência da baixa temperatura na Austrália ou se trata de uma peculiaridade do composto.

Nos treinos livres de sexta-feira, com sol e temperaturas de 28 e 49 ºC, respectivamente, de manhã e à tarde, Rubens colocou-se em 8º e 12º na tabela de tempos e, já ali, se mostrou descontente com seu equipamento. No sábado foi o 16º no 3º treino livre e, na classificação, com o asfalto em torno de 41 ºC encerrou sua participação no Q2, vindo do limite no Q1, e definiu-se na 15ª posição para o grid de largada. “Performance. Não tem outra explicação. Falta velocidade para esta pista. Estamos lentos nas retas, no curso das curvas, e estamos saindo de frente. Tudo isso afeta o tempo total de volta…. O carro está melhor de guiar, mas aqui não funciona. O jeito é baixar a bola, trabalhar e ver no que dá”, disse. “No geral, minha volta foi boa, na verdade, foi provavelmente uma das minhas melhores voltas aqui na Malásia, mas não foi suficiente para anular a performance não tão boa do carro hoje”, continuou.

Equipe trabalha na troca de pneus.

A questão complicada de se largar no pelotão de trás [além do próprio fato de ter de recuperar as posições] são os carros que com ele dividem o pelotão. Pelo que presenciamos nas largadas, eu usaria outro adjetivo, mas Rubinho preferiu ilustrá-los como praticantes de uma pilotagem “agressiva”. Adrian Sutil, tentando fazer sabe-se lá o quê, tocou a asa dianteira no pneu esquerdo traseiro de Rubens e provocou um furo, uma volta lentíssima e a antecipação da visita do brasileiro aos boxes. Retornou a uma volta do líder e, na volta 25, se viu obrigado a abandonar a prova pela já citada falha no funcionamento das marchas provocado por um problema no sistema hidráulico. “Acho que ainda temos potencial para descobrir nesse carro, mas as duas primeiras corridas foram horríveis… O carro ainda não tem resistência para terminar a prova”, reconheceu o brasileiro. Sam Michael, diretor técnico, reforçou: “Temos que resolver estas questões de confiabilidade e ir para Xangai com uma performance melhor”.


Para o Grande Prêmio da China, no próximo domingo, a Williams programou algumas atualizações, entre elas, um novo sistema de escape (o mesmo usado pela Red Bull) que ajudará a aumentar a pressão aerodinâmica na parte traseira do carro e a expectativa é que ele permita uma melhor posição no grid.

Até lá.

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