“Estamos de volta!”. Aos mais fanáticos [grupo ao qual me incluo], o início da Temporada de F1 é algo tão esperado quanto um aniversário, até porque não deixa de ser, afinal, é mais um ano de emoções e, no nosso caso, partimos para o nosso 19º ciclo. E, excepcionalmente nesta temporada, a ansiedade pareceu ser duplicada com o acréscimo de mais 14 dias à nossa espera devido ao cancelamento do GP do Bahrein, sentimento também compartilhado com o moço que empresta seu nome à nossa coluna.
A Pré Temporada consegue, sim, sanar algumas curiosidades como pintura nova dos carros e inovações trazidas pelas equipes, mas somente nos dá espaço para comparações e conclusões baseadas em dados superficiais [os que estão ao nosso alcance]. A campanha foi boa, o melhor tempo em Jerez, mas alguns problemas envolvendo o kers não permitiram à equipe a aquisição de maior quilometragem e, com ela, garantir a confiabilidade do equipamento nem nos permitiu uma previsão clara do que estaria por vir e, falando bem a verdade, mesmo depois deste primeiro GP, nada está ainda muito claro em termos de competitividade.
Já que possuímos a comodidade de poder avaliar corrida a corrida, limitemo-nos ao Rubens e ao FW33 no GP da Austrália… Como foi o fim de semana? Cheio! Cheio de desafios. E para Rubens isso começou antes mesmo do fim de semana, propriamente dito. O caos aéreo em terras argentinas fez com que o piloto perdesse compromissos com patrocinadores em Melbourne, o que não é de tudo lamentável mas, que causou um estresse particularmente dispensável.
Os treinos livres deram pinta de que o que vimos nos testes de inverno era uma realidade próxima, sempre cravando seu nome entre os primeiros tempos, foi o 5º pela manhã e 9º na tarde de sexta-feira, e o bom resultado suavizou a insegurança passada pelo kers. Mas, no sábado, uma suspeita de vazamento de óleo encurtou o terceiro treino livre e ocasionou um prejuízo significativo de tempo destinado ao acerto do carro para a classificação.
Liberado para o Q1, Rubens procurou aproveitar ao máximo o tempo que lhe restava para garantir as passagens entre as fases classificatórias, foi para a 2ª parte do treino na 14ª posição mas não conseguiu registrar tempo de volta no Q2 ao rodar e ficar preso na caixa de brita da curva 3 e teve que se ver largando na 17ª posição do grid. “Abri muito, coloquei uma roda na grama e rodei, erro meu“, admitiu.
No domingo, Barrichello foi empurrado e saiu da pista logo no início, passeou pela brita, caiu para último e, como o exigido em qualquer prova de recuperação, foi para o ataque. Cravando grandes ultrapassagens (inclusive sobre seu mais novo companheiro de equipe, Pastor Maldonado) e, disputando a oitava posição, na que já era uma incrível recuperação, Rubinho, que defendia sua posição para Kamui Kobayashi, tocou com Nico Rosberg que abandonou a corrida, fato que também obrigou o brasileiro a trocar o bico danificado. A direção de prova ainda a entendeu como uma manobra imprópria e decidiu por uma punição com drive-trough. “Eu não queria ultrapassá-lo naquele ponto, eu estava me defendendo do Kobayashi. Acho que tínhamos um pneu com mais aderência e um com menos, então tínhamos diferentes pontos de freada. Rosberg freou mais cedo, e já estava no meio da curva antes de eu conseguir parar o carro” explicou.
Os problemas não pararam por aí, Dickie Stanford, chefe da equipe afirmou que uma falha na programação do sistema de armação da asa traseira móvel fez com que o dispositivo desse condições de uso em um setor errado da pista. “Barrichello não pôde usar a sua asa traseira na reta dos boxes, mesmo quando estava próximo de um carro à frente. O dispositivo estava, erroneamente, programado para o setor dois“. Rubens recebeu então o pedido de não utilização do sistema até que fosse resolvida a questão, o que explica a dificuldade para ultrapassar Nick Heidfeld.
Barrichello fez ao todo 5 passagens pelo pit, mas ainda seguia a prova com bom ritmo até, há 6 voltas do final, ser obrigado a abandonar por problemas no câmbio, lembrando [porém não creditando] o fato de a Williams possuir um sistema diferenciado de câmbio, mais compacto e baixo em relação às outras equipes.
Em resumo, o início da temporada 2011 não foi fácil para o “Barrica”. Mas o que já foi até hoje? Acredito que, apesar de todos os problemas, o ritmo de corrida e as boas ultrapassagens mostraram relativa competitividade do carro nº11 e, estando a equipe de Grove focada nas áreas falhas desta fase e com maior conhecimento adquirido sobre elas, podemos, sim, esperar por um carro mais forte no GP da Malásia.
Nos vemos daqui há duas semanas…





Parabéns pelo retorno Lu!
Sofri bastante com a primeira corrida do Barrichello. Não cobro nada dele, mas sei que cada corrida ele luta pra fazer o melhor que pode. E como dá gosto ver a força e a paixão que ele tem. Não há piloto tão entusiasmado, tão apaixonado, tão dedicado, incrível… Quero ser assim como ele no meu trabalho.
Tenho certeza que esse será melhor pra ele e quem sabe pinta um pódio…
Sem dúvida alguma, Barrichello mostra a paixão pelo que faz. Podia muito bem estar aposentado, curtindo a vida com a família ou correndo um categoria de menos publicidade. Mas ele está ali, firme e forte, sempre trabalhando duro no que gosta realmente de fazer. Por isso, admiro-o bastante.
Ele teve uma estréia difícil, como sempre foi sua carreira. O carro não me parece muito confiável ainda e espero que a equipe sane algumas deficiências na Malásia e que os problemas do KERS não voltem a acontecer, justo numa pista onde seu uso é fundamental.
Parabéns pelo trabalho Luiziana