Foi uma corrida burocrática. Sem altos e sem baixos. O GP da Bélgica para Felipe Massa, pode-se dizer, foi tranquilo. Mas poderia ter sido muito melhor. Ele poderia ter conquistado mais do que um simples quarto lugar.
Após quase um mês de férias, a F1 voltou em Spa Francorchamps. E uma questão pairava no grid: iria a Red Bull manter o domínio ou Ferrari e McLaren mostrariam força, dificultando a vida do time austríaco?
Muito se esperava da Ferrari para o GP belga. Afinal, nas duas provas anteriores, na Alemanha e na Hungria, o desempenho tinha sido animador. Dobradinha na polêmica prova germânica, e dois carros no top 5 da corrida húngara. Visivelmente o carro tinha apresentado melhoras.
E sendo considerada uma das favoritas, lá foi a equipe italiana para a pista, na sexta-feira. E com chuva no primeiro treino e pista seca no segundo, confirmavam o prognóstico, com Fernando Alonso liderando as duas sessões. E com um Felipe Massa, se não tão rápido quanto o companheiro, muito confiante.
Contudo, no sábado, as coisas começaram a não dar certo para a equipe e principalmente para o espanhol, que foi apenas o décimo colocado na classificação. Enquanto isso, Felipe, quietinho, fazia seu trabalho e largaria em sexto. Posição decepcionante segundo ele, que esperava estar pelo menos entre os três primeiros.
Na frente dele, McLarens e Red Bulls, além da Renault de Robert Kubica ditavam o ritmo. Os italianos já não eram mais favoritos naquele momento. E com isso, só restava esperar a corrida, sempre imprevisível no tradicional circuito.
Hora da largada. E um fato estranho envolvendo Felipe chamou a atenção de todos. Só que dia depois da prova. Um torcedor gravou o momento em que os pilotos alinhavam no grid. E flagrou um momento de desatenção de Massa. O brasileiro parou mais de meio carro fora da posição de largada. Pura falta de atenção. Porém, ele não tirou vantagem do erro, uma vez que apenas manteve a sexta posição após a largada. E no fim da primeira volta, outra cena inusitada. Pista molhada na parte final e todos os líderes cortando a chicane da Bus Stop. E com Alonso se dando mal, após ser acertado em cheio por Barrichello, que completava seu GP de número 300.
A partir daí, Massa se viu em uma corrida particular. Depois da relargada, sua Ferrari não rendeu como os carros dos adversários. E com isso, Felipe não teve oportunidades de brigar por uma posição melhor. Por outro lado, Massa também não sofreu ataques. Fez uma corrida discreta, quase que particular, entre um pelotão e outro. Sem grandes chances até a volta 40, ele corria pelos pontos. Felipe foi até beneficiado pelo bizarro acidente entre Vettel e Button. De sexto pulou para quarto. Mas não tinha chances de atacar.
Porém, como disse acima, na quadragésima volta, uma chance surgiu. Mas piloto e equipe não aproveitaram. A chuva apertou e a troca dos pneus slicks para os intermediários se fazia necessária. Mas os quatro primeiros arriscaram dar uma volta a mais. O resultado foram tempos altos. E um risco desnecessário de se jogar uma corrida toda pelo ralo. Se Felipe não tivesse seguido os rivais, provavelmente teria arrumado um pódio. Falar de vitória seria até um exagero, visto que Lewis Hamilton, vencedor da etapa, tinha uma grande vantagem. Mas Robert Kubica e Mark Webber, que estavam próximos, poderiam ser superados caso Felipe tivesse apostado na troca, o que não foi o caso. No entanto, não há muito o que se lamentar. Já passou.
Felipe conseguiu terminar bem a prova e marcar pontos importantes. Tem sido um piloto burocrático e pouco combativo, entretanto. E já acha difícil que o time brigue pelo título. Massa não pegou o jeito de sua Ferrari nesse ano. Por isso não consegue resultados mais expressivos, o que lhe põe em xeque para a próxima temporada. Vai ter de mostrar que é capaz de brigar por vitórias nessas últimas seis provas se quiser manter a confiança da equipe. Se continuar discreto, terá todo seu espaço na equipe ocupado em 2011.


