Grande Prêmio da Hungria e muita gente esperando por um “troco” que tentaria devolver a confiança de alguns brasileiros ao esporte. Não é necessário citar o episódio da semana passada aqui, até porque o piloto em questão é outro (apesar de muitos terem vinculado o nome de Rubens em virtude do ocorrido, já que também protagonizou um desses “jogos de equipe” no passado). Rubinho lamentou muito o fato de o esporte passar novamente por essa turbulência, mas no que diz respeito a ele isso é página virada há algum tempo, desde que quebrou seu contrato com a Ferrari, saturado pelo tratamento recebido por lá. Mas vamos ao GP da Hungria, o tal troco veio só que entre ex-companheiros de equipe.
No treino classificatório deste fim de semana em Hungaroring (onde foi pole e venceu em 2002), Rubens sofreu com o trânsito causado pelas voltas de desaceleração de alguns carros e não alcançou o aquecimento ideal dos pneus, assim, não conseguiu o tempo ideal para o Q3 com o 12º melhor tempo. Já que o Top 10 não foi possível, a equipe Williams poderia arriscar em uma estratégia diferenciada no uso dos pneus. Então, contrariando os demais carros, Rubens iniciou a corrida com os compostos duros e, contrariando também a largada ruim no último GP, fez a primeira curva três posições à frente do que a classificação lhe permitiu no sábado. Algo entre 5º e 6º era viável, ele permaneceria o máximo tempo possível na pista e faria um curto stint com pneus macios após a troca obrigatória. Mas o Safety Car deu as caras e alterou o curso natural das coisas, a vantagem que teria em permanecer na pista foi anulada quando os outros carros se aproveitaram para antecipar suas trocas. À partir dali, Rubinho manteve bom ritmo mas não abriu distância suficiente pra voltar à pista na mesma posição após a parada.
11º, com uma distância considerável do 10º, parecia que a zona de pontuação já era descartada, mas o brasileiro tinha uma vantagem: os pneus novos. Em duas voltas, anulou toda a vantagem de Michael Schumacher e foi o dono da [acho que única] emoção da prova. Na volta 64 passou a atacar de vez o alemão e fez a alegria dos torcedores brasileiros protagonizando, na volta 66, uma ultrapassagem em que a experiência se mostrou de um lado e pareceu ser ausente do outro.
Claro que uma disputa entre eternos rivais era algo pra deixar os espectadores apreensivos e o locutor local atentava pra isso a cada entrada de curva. Schumacher não ia vender barato e Barrichello vinha cheio de vontade, literalmente, com a “baba escorrendo” pelo rosto (risos… ele confirmou isso), algo pra esquecer o marasmo da disputa entre Vettel e Alonso lá na frente, algo pra marcar a corrida.
Os internautas atiraram merecidos confetes à manobra que ele arrancou do bolso pra se salvar do muro. Não, não… o muro não é no sentido figurado de: “Schumacher barrando a passagem de Rubens” … na verdade Michael tentou, sim, barrar Rubinho, mas de uma forma suja e perigosa pra ambos, pressionando o brasileiro há milímetros do muro da reta dos boxes. A imagem é impressionante e com certeza o coração de muita gente foi á boca naquele instante. “Ele estava olhando para a minha roda no retrovisor, e foi fechando. Não cabia um cabelo ali. Foi perigoso e não necessário”.
Francamente, até seria divertido se estivéssemos assistindo à uma produção do Hanna Barbera mas, como o próprio Dick Vigar… ops… Schumacher disse: “Isto é F-1” e, engraçado mesmo foi só quando aquele muro terminou e pudemos ver o triunfo de Barrichello por dentro da curva 1. Schumacher ainda tentou retomar a posição, mas Rubens estava determinado a garantir o último ponto do GP e manteve-se intocável.
Entrevistado após a prova, Rubinho lavou a alma: “Prometi aos brasileiros: ‘Ele não vai me passar denovo’. Ele não merece. Tenho pena da situação. Estamos aqui para tentar tudo, mas eu não ia tirar o pé hoje”.
Rubinho já havia se queixado pelo rádio que Michael estava retardando muito a decisão pelo traçado e, logo após a ultrapassagem, o brasileiro pediu desclassificação do alemão pela atitude antidesportiva. O incidente foi colocado em investigação pelos comissários e, após a prova, informaram que o alemão perderá 10 posições no grid do próximo GP como penalização pelo ato. O histórico de trapaças de Michael já lhe rende o recorde de punições na categoria (Olha que recorde “bonito”!). Em resposta à punição, Michael disse aceitar mas não concordar com a decisão dos comissários já que, segundo ele, (isso é engraçado também) “deixou espaço suficiente para a ultrapassagem”. Parece que ele não estava tão seguro disso, afinal até decidiu se retratar publicamente (através de seu site) pedindo desculpas a Rubinho, certamente, resultado das inúmeras críticas que recebeu em todo o mundo. Venhamos e convenhamos: Se a intenção era (como ele disse) defender a linha de dentro e obrigar Rubens a ultrapassá-lo por fora, ele teria que estar certo disso antes. Ali, como foi, mostrou que enquanto Rubens passava colado ao muro, a ética passava longe de Schumacher.
A F-1 sai de férias por três semanas mas volta em clima de festa. O Grande Prêmio da Bélgica no dia 29 de agosto marcará o 300º GP disputado por Rubens Barrichello na categoria, ele inclusive já prometeu capacete comemorativo. Até lá!






CHUPA alemão desgraçado!