[Coluna Massa] Que vergonha, hein Felipe!!!

GP da Alemanha 2010, dia 25 de julho. Faltam 17 voltas para o final da prova liderada, até então, por Felipe Massa. Exatamente um ano depois daquele acidente que quase o tirou do automobilismo e que poderia ter lhe tirado a vida. Exatamente um ano depois de ter renascido para a vida, Massa poderia renascer para a F1, em uma temporada difícil, em que pouco fez até a décima primeira prova do mundial. Felipe estava próximo de encerrar também um jejum de vitórias, afinal, a 27 GPs, desde aquele épico domingo de chuva no Brasil, quando ele perdeu o título mundial para Lewis Hamilton por um ponto, o brasileiro não sabia o que era vencer na F1.

Agora faltam 16 voltas para o fim e, opa, Fernando Alonso assume a ponta. Agora o espanhol caminha para o segundo triunfo no ano, mantendo vivas as chances de chegar ao tri campeonato. Massa agora é o segundo, um grande resultado para um piloto que não pontuava a três provas e que enfrenta diversos problemas na temporada. Ser ultrapassado, na boa, pelo companheiro de equipe que estava em um grande fim de semana, é normal. Acontece, afinal, o cara também está brigando pelo título. Um segundo lugar não é de se jogar fora.

Acontecimentos de hoje lembram o GP da Austria de 2002

Pois bem. Foi essa a imagem que a Ferrari tentou passar aos fãs da F1 nesse domingo. Para quem não viu o GP da Alemanha em Hockenheim e não está a par de tudo o que se sucedeu na corrida, o relato logo acima pode passar essa imagem pretendida pela Ferrari. Mas não é bem assim. O que realmente aaonteceu, e que relato logo abaixo, é uma das maiores atrocidades do esporte. E não é a primeira vez que vemos esse tipo de coisa.

Faltavam 18 voltas para o fim da prova. Massa liderava, Alonso tentava se aproximar e era mais rápido naquele momento. A Ferrari tinha, até então, seu melhor fim de semana na temporada, com dois pilotos combativos e sempre entre os líderes. Por dois milésimos não tinham marcado a pole com Alonso. Na largada, Vettel saiu mal e tentou bloquear Alonso. E Felipe, inteligentemente, assumiu a ponta, com o espanhol em seu encalço.

Para os italianos, a vitória de Fernando era fundamental para continuar com melhores chances no mundial. E sabendo disso, tentaram trocá-lo de posição nos boxes. Nada feito e Massa seguia líder, brigando por centésimos com o companheiro, até que, a 18 voltas do fim, chega uma mensagem no rádio de Felipe: “Alonso está mais rápido do que você. Entendeu a mensagem?” Prenuncio de que algo viria por ai.

Ambos cruzam a linha de chegada, agora faltam dezessete voltas. Ambos cruzam a linha de chegada novamente, para as dezesseis voltas finais e, epa. Alonso está na frente. No meio da volta, Massa levantou o pé para que o companheiro passasse. Deliberadamente. Descaradamente cumpria a “ordem” da equipe. Ordem camuflada, que nunca vão admitir. Mas que existiu.

No fim, a dobradinha que se desenhava acabou tendo outra ordem de posições. E manchou o ano da F1, da Ferrari e de seus pilotos.

Faltando 16 voltas para o fim, Massa abriu passagem para Alonso

Felipe, que disse que não tomava meio segundo de ninguém e que sempre brigaria para vencer, abdicou da vitória que tanto poderia lhe animar. Abriu passagem de forma bizarra. Foi pivô de uma armação asquerosa, degradante, nojenta. Logo ele, que tanto reclamou daquele que é considerado o maior escândalo da F1, envolvendo, Renault, Flávio Briatore, Nelsinho Piquet e o próprio Fernando Alonso no GP de Cingapura de 2008, e que supostamente lhe custou o título daquela temporada. Na ocasião, Felipe cobrou ética, punições e tudo o mais. Mas agora eu pergunto: onde foi parar a sua ética Massa, deixando Alonso passar desse jeito?

Como desculpa, esfarrapada diga-se de passagem, está seu argumento de que hoje você trabalhou para o time. Mas e o Nelsinho não trabalhou para o time naquela oportunidade? O beneficiado não foi o mesmo Alonso de hoje?

É claro que as situações são diferentes.  O caso de Cingapura, ao meu ver, foi bem mais grave, pois colocou a vida de terceiros em risco. Mas os dois são sujos e têm a mesma essência: tirar proveito de uma situação para se beneficiar.

Na minha opinião, tem que ganhar quem for mais competente e não aquele que tem mais chances, ou que levou mais dinheiro, ou que é o queridinho. Assim deve ser o esporte. Justo. Mas não é o que vimos hoje. Se o Alonso ganhar o campeonato por uma diferença de menos de sete pontos para o segundo, vão lembrar ainda mais desse caso. E isso mancha o trabalho de todos os que estão envolvidos.

O que mais irrita não é o fato de uma armação como essa acontecer. Apesar de não concordar com tamanha anti-desportividade, o ponto principal não é esse. O que mais me deixa decepcionado é saber que o Felipe Massa, que eu pensava ser diferenciado, é só mais um nessa podridão. Vem com um discurso pronto, mas faz outra coisa na pista.

Por mais que ele tente proteger a equipe em seu discurso, dizendo que ele decidiu deixar Alonso passar, não cola. Faltou-lhe personalidade pra continuar na frente do companheiro, mesmo a contra gosto da equipe. Como dizem na giria popular, ele arregou.

O que a Ferrari pediu hoje vai contra todos os principios da esportividade. A multa de 100 mil dólares que tomou não vai inibi-lá de fazer isso novamente quando achar conveniente. Algo mais drastico precisa ser feito, do contrário continuaremos a ver coisas como as de hoje.

Quanto ao Felipe, só tenho a lamentar que ele tenha se sujeitado a fazer algo tão baixo. Como empregado da Ferrari, é óbvio que ele tem que cumprir as ordens da equipe. Mas para tudo há um limite, que foi ultrapaasado hoje, causando toda essa polêmica. Na F1 não é necessário ser bom e competente ao que parece. É preciso agradar a todos, mesmo que sejam com atitudes deploráveis. Isso é lamentável.

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About Diego Maulana

Jornalista, 22 anos, amante dos esportes, principalmente do automobilismo!!! Blog: http://nomundodavelocidade.blogspot.com Twitter: @D_Maulana