Tentar falar de Barrichello em Hockenheim sem lembrar a primeira vitória do brasileiro na categoria é algo praticamente impossível. Sim, foi aquele GP em que ele largou na 18ª posição, com um maluco invadindo a pista, com chuva e ele correndo com pneus de pista seca… aquela em que ele chora no pódio e é reverenciado nos ombros dos rivais. Pois é, já se passaram 10 anos, mas quem viu não esquece. A pista já não é mais a mesma, a realidade dos carros já não é como antes, mas que há um carinho indiscutível pelo nome “Hockenheim” não há dúvidas e, claro, Rubinho também cultiva esse carinho.
De volta em solo alemão, na companhia de Silvana e dos filhos que (como ele) exibiram no domingo uma camiseta com os dizeres: “I beat The Stig” (presente da equipe, em menção ao desafio de velocidade vencido por ele no Programa Top Gear da TV inglesa BBC), Barrichello analisou a pista como “desafiadora”. É que, preservando algumas retas longas depois da reformulação e contando com curvas de alta velocidade, em alguns trechos a pressão aerodinâmica ainda teria papel importante e, por isso, o acerto ideal seria uma tarefa complicada a todos os pilotos. Para “ajudar”, o recapeamento em alguns setores deixou [além de ondulações] diferença nas texturas do asfalto, o novo tornou-se um pouco escorregadio comparado ao antigo, o que causava [nas palavras dele mesmo] “um susto” ao passar de um piso ao outro.
Na sexta-feira, o tempo chuvoso permitiu a Rubinho testar diversos tipos de ajustes combinados com todos os pneus trazidos pela Bridgestone para o GP alemão. No primeiro treino, vinha em 16º até que uma volta muito boa nos instantes finais colocou sua Williams na 4ª posição da tabela de tempos, com 1min26s947. Com alguns pingos de chuva à tarde, até rodada aconteceu e, Barrica manteve-se com o 9º tempo (1min17s004). As condições de pista eram parecidas no 1º treino do sábado e nosso piloto confirmou a boa fase firmando, em 23 voltas, o 8º lugar com 1min16s481.
Na classificação, Rubinho passou sem problemas ao Q2 com o tempo de 1m16s398 e, ao Q3, com 1m14s698, ali, foi o grande destaque colocando o FW32 entre as duas McLarens. Na última parte da classificação, o carro saía um pouco de frente e Rubinho não pôde repetir o tempo do Q2, mas com 1min15s109 definiu o 8º lugar no Grid de largada.
Os motores Cosworth exigiram da equipe uma adaptação na relação de marchas utilizadas pra um melhor aproveitamento nos giros altos. Por esta relação diferenciada, Rubinho vinha com uma longa 1ª marcha e, durante a largada, em Hockenheim isso não foi muito favorável. Na tentativa de uma recuperação no hairpin, uma curva fechada de Kamui Kobayashi fez com que todos se “embolassem” na freada, acabou perdendo 3 posições e seguiu com uma corrida discreta num confronto com Sauber e Renault.
A largada foi realmente decisiva para o resultado final da corrida de Rubens que, contrariando [parcialmente] os últimos resultados, não alcançou os pontos com sua 12ª colocação. A telemetria mostrou que não se trata de “passo para trás” na evolução do equipamento, o FW32 manteve bom ritmo após a troca de pneus e, embora a realidade dos resultados de todo o fim de semana não terem sido claramente refletidos na corrida, a Williams não parece ter desistido de se manter em boa fase.

