[Coluna Barrichello] Em Valência, um grande avanço.

De volta ao palco de sua 10ª vitória na F1, a centésima brasileira, Rubens Barrichello mais uma vez teve o que comemorar. A equipe Williams, de qualquer forma, transpareceu um avanço significativo e Rubinho retornou aos pontos nesse fim de semana.

Em clima de Copa do Mundo

Fã de futebol como qualquer brasileiro “normal”, Rubinho chegou ao circuito na quinta-feira a caráter e, vestindo a camisa da nossa seleção (presente de um grupo de fãs brasileiros), mostrou estar no bom clima da Copa do Mundo. Além disso, outros bons ares circulavam em virtude das atualizações esperadas para o GP (incluindo a tentativa de uso na corrida dos tão famosos dutos de ar) e, estas se mostraram satisfatórias aos carros azuis, além do fato de o carro nº 9 poder contar com um motor novo para o fim de semana.

Treinos Livres e Classificação

A expectativa por melhora no equipamento já dava as caras nos treinos livres. Nas duas primeiras sessões, Rubinho ficou com a 10º posição passando em 1min42s463 e 1min40s174, num total de 44 voltas. Para uma sexta-feira, não era uma posição muito comum, então foi bastante animador. No sábado, o carro nº 9 foi ainda mais surpreendente com o 6º posto, à frente de uma Ferrari, McLarens e Mercedes, Rubens registrou o tempo de 1min38s623, há 5 décimos da dominante Red Bull.

Brasil até na sapatilha

A classificação foi ainda mais emocionante, Rubinho passou como P4 ao Q2, com 1min38s449, avançou ao Q3 melhorando seu tempo para 1min38s326 (P7) mas uma pequena falha com os discos de freio o deixou com a 9ª posição no grid de largada, na última tentativa de volta o piloto registrou o tempo de 1min38s428, exatamente igual ao seu companheiro, Nico Hulkenberg (que sofreu em todas as sessões de treinos livres com o acerto do carro, ficando sempre distante dos tempos do brasileiro), mas o critério de desempate deu a oitava posição ao alemão por ter cravado sua volta antes de Rubens.

A corrida

O resultado final no domingo não contradisse as expectativas de todo o trabalho aplicado durante o fim de semana. Em boa largada, Rubinho superou Hulkenberg e ainda se beneficiou com a conquista de mais uma posição mantendo-se na pista com um problema de Mark Webber, da Red Bull.

box

Largando com pneus moles, a estratégia seria de um stint curto no início e um longo com pneus duros, ou seja, de 10 a 12 voltas para a primeira troca. E assim aconteceu, Rubinho recebeu o chamado da equipe para troca na 10ª volta. Segundos depois, pôde sentir o vento soprando em seu favor com a entrada do carro de segurança provocado pela “decolagem” da Red Bull de Webber sobre a Lotus de Heikki Kovalainen e saiu dos boxes duas colocações à frente.

Na quinta posição, à frente da Renault de Robert Kubica, Rubens manteve-se fechando as portas a todos os ataques do polonês e, com a parada de Kamui Kobayashi (que ainda não havia cumprido a regra de utilização dos dois tipos de compostos de pneus), cruzou a linha de chegada em 4º lugar, ali permanecendo mesmo com a penalização de 5 segundos conferida a 9 pilotos (inclusive ele) que, investigados após a prova, comprovadamente excederam o tempo mínimo exigido com o Safety Car na pista.

Este resultado conferiu a Rubinho sua melhor posição e melhor posição da equipe na temporada, devolvendo-lhe à zona de pontuação que não ocupava há 3 GPs. “Foi uma bela corrida” nas palavras do próprio piloto (endossadas por Sam Michael), que ainda usou de seu bom humor pra mencionar o “malabarismo” dentro do cockpit: “Levantava perna, mexia freio, posso sair daqui e ir para o Cirque du Soleil.” Rubinho ainda esclareceu que o FW32 preparado para o GP de Valência poderia lhe garantir até um sexto lugar, mesmo sem o Safety Car.

Rubens a frente de Kubica

Somando 12 pontos, Barrichello sobe para a 11ª posição na classificação geral de pilotos e coloca a Williams à frente da Toro Rosso no mundial de construtores. Assim, mais uma vez, o GP da Europa permitiu uma boa recordação aos “barrichellistas”. Para quem gosta de estatísticas, Barrichello tornou-se (com este último GP) o maior pontuador brasileiro na história da categoria (626 pontos), posição que pertencia a Ayrton Senna (614). Logicamente há alguns critérios a serem ressaltados (como revisões nas regras de pontuação em cada temporada e média de pontos por corrida disputada) mas, de qualquer forma, é uma marca respeitável que ainda devolve-lhe a 4ª posição quando consideradas as demais nacionalidades em toda a história da F1.

 O próximo Grande Prêmio acontece no dia 11 de julho num considerado “quintal de casa” para Rubinho, Silverstone, um dos circuitos preferidos por ele. Lá, a equipe programa outras atualizações… Que o ritmo do avanço se mantenha!

 

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