[Coluna Barrichello] Susto nas ruas do principado.



Quem assistiu ao Grande Prêmio de Mônaco do último domingo (15), há de concordar que este foi um pouco monótono. Na verdade, é o próprio circuito que favorece isto ao passo que desfavorece as ultrapassagens. E nem mesmo as belas imagens de dentro do túnel, os barcos e a insistência do narrador oficial em chamar a atenção do telespectador para as construções ao redor (como se estivéssemos ali pra um passeio turístico) foram suficientes para “animar o ambiente”.

Rubens Barrichello iniciou um fim de semana discreto, porém, animador. Contrariou a monotonia prevista para a corrida, logo no início, mas foi traído pelo próprio equipamento. Vamos aos detalhes.

Expectativas para o GP

Rubens na quinta-feira de treinos

Um dos assuntos mais comentados desde o Grande Prêmio da Espanha, foi o tráfego causado pelas três novas equipes da F-1 durante os treinos. Muitos pilotos, inclusive o Rubens, foram prejudicados em suas voltas classificatórias no circuito catalão e, prevendo maiores dificuldades nas ruas de Monte Carlo, sugeriu-se uma divisão em dois grupos, diminuindo assim, o risco de tráfego. Nada foi alterado a respeito e, os pilotos foram para a pista com atenções redobradas.

Treinos Livres

Como já é tradicional em Mônaco, os dois primeiros treinos livres são realizados na quinta-feira, permitindo eventos promocionais dos patrocinadores do evento na sexta. Sendo assim, a equipe Williams acabou por vir com apenas um novo pacote aerodinâmico para a parte traseira de seus carros, o que explica os resultados nas duas primeiras sessões de treino.

Treino de sábado

No 1º treino, Rubinho obteve o 12º melhor tempo, com 1min17s331 utilizando a nova asa traseira. À tarde, sem a nova peça (aplicada no carro de Nico Hulkenberg), apesar de melhorar seu tempo de volta para 1min16s522 (o que é de praxe nos treinos da tarde), ocupou a 14a colocação. “Parece ser promissor e espero que possa dar um toque a mais de competitividade. Estou ansioso para sábado”, afirmou o piloto.

Na manhã de sábado, Rubens obteve a 14a colocação, com 1min16s232 em seu melhor tempo nas 21 voltas completadas.

Classificação

9º, Barrichello cumprimenta o pole Mark Webber

Contrariando o previsto, o tráfego não foi tão inimigo dos tempos de volta durante o treino classificatório. Rubinho sofreu com ele por algumas voltas mas, conseguiu avançar ao Q2 e Q3 com os tempos de 1min15s590 e 1min15s083.

Animado por largar entre os 10 primeiros, Rubinho cravou o tempo de 1min14s901 na última sessão do treino classificatório garantindo a nona colocação no grid de largada. “Eu me diverti muito hoje, e estou feliz com o nono tempo. Fiz o meu melhor e não acredito que poderíamos ter conquistado um resultado mais a frente”, afirmou.

O desempenho do brasileiro nas ruas de Monte Carlo arrancou mais uma vez elogios de Sam Michael. “Rubens extraiu tudo o que podia do carro”, comentou o diretor técnico da equipe Williams.

Rubens destacou que a equipe vem trabalhando na avaliação do consumo de combustível pelos motores Cosworth. “Acho que no ‘long run’ nós sofremos um pouco com a situação de talvez largarmos um pouco mais pesados do que os outros. Estamos começando a entender se isso é verdade ou não.”

A corrida

Rubens conquista 3 posições na largada

Barrichello, mais uma vez, protagonizou um excelente início de corrida na sexta etapa da Fórmula 1, disputada no domingo. Partindo da 9a colocação, o brasileiro foi para a 6a posição, superando a McLaren de Jenson Button e as Mercedes de Michael Schumacher e Nico Rosberg já na largada. Sam Michael avaliou a largada de Rubens como: “Fantástica!”.

O piloto da Williams seguia em bom ritmo até sua parada nos boxes, ocorrida na volta 11. Ali, onde perderia as posições conquistadas na largada, o brasileiro percebeu algum problema com seu FW32. “Meu carro ficou muito estranho após a primeira parada nos boxes. O volante, em especial, não estava normal.”

Na volta 48, Rubinho bateu forte após perder o controle devido a uma falha na parte traseira do carro, confirmada pela equipe Williams nesta segunda-feira. “Rubens sofreu uma quebra na suspensão traseira. Mas não será um problema que se repetirá”, disse o diretor técnico da equipe.

Rubinho deu um susto nos torcedores quando foi jogado em direção ao guard rail da subida do Cassino. “Está tudo bem, sai bem do carro, sozinho, estava lúcido. A primeira batida foi forte; na segunda, o carro deu sorte de ir de lado e aquele arrasto todo de lado te tira a velocidade”, explicou. Sam Michael esclareceu que a falha ocorrida não foi em nenhum componente novo levado a Mônaco.

Marcas do impacto do carro de Rubens ficaram no guard-rail

O problema ocorrido com Rubens, acabou sendo equivocadamente vinculado ao acidente sofrido por Nico Hulkenberg na primeira volta, mas, ao contrário do ocorrido com o carro nº 9, este foi causado por dano em sua asa dianteira quando tocado na curva anterior ao acidente, ainda na largada. Nico acabou por tocar a traseira de outro carro e na entrada do túnel, a asa [dianteira] não funcionou fazendo-o colidir com o muro.

FW32, destruído após batida

Eis que, surge ali mais uma polêmica. Graças a outra equivocada, interpretação, a atitude do piloto em lançar o volante para fora do carro, na tentativa de se libertar do cockpit e não ser atingido novamente por outros carros, deu o que falar. Sim, a regra diz que o piloto ao sair do carro, deve recolocar o volante, mas cada caso é um caso e, qualquer um que entenda um pouco sobre o assunto [a FIA, por exemplo] não julgou o ato como imprudência ou resultado de uma irritação.

“Chegaram a me perguntar por que eu joguei o volante. Eu estava esperando diminuir o barulho dos carros para sair do meu o mais rápido possível.” Até o piloto esclarecer o fato em seu twitter, os comentários superavam-se até mesmo na tentativa de calcular o valor da multa aplicada. Aliás, multa que não existiu, justamente pela FIA não ter avaliado o caso da maneira como vinha sendo especulado.

O "polêmico" volante

Sobre problemas durante a corrida, Rubens lamenta: “É uma pena. Tivemos um fim de semana com uma ótima classificação, uma excelente largada e tudo para marcar pontos bons. Depois da largada fui ‘me arrastando’ para chegar em 10º.” E, sobre o acidente, exaltou a resistência do carro e agradeceu à proteção divina que lhe permitiu sair ileso. Algo que comprova que a sorte que muitos dizem lhe faltar, estava marcando presença mais uma vez.

O próximo GP acontece no dia 30 de Maio, na Turquia e, lá, Rubens espera evolução do carro da Williams. “Para a próxima etapa há um projeto. Com essa mudança vamos ter um ganho”.

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