[Coluna Barrichello] Motores ainda não "jogam no time".

O resultado deste fim de semana novamente não foi o pretendido pela equipe Williams. Rubinho, que abandonou a prova em Mônaco após um acidente causado por uma tampa solta de bueiro*, manteve-se distante dos pontos também no Grande Prêmio da Turquia.

63º mais influente do twitter

Pela 6ª vez na carreira e aos 38 anos (comemorados ao lado da família no último dia 23) Rubens, que se tornou um “Twitteiro Cósmico” ocupando seu espaço esta semana no mapa das personalidades mais influentes da rede de microblogs (aliás, o único piloto num seleto grupo de esportistas composto por Lance Armstrong, Michael Jordan e Tony Hawk), deixou o acidente no passado, pisou em terras turcas e descreveu o circuito como um dos mais desafiadores do calendário: “Istambul é uma das minhas pistas preferidas. Tem um bom layout. Como o circuito é no sentido anti-horário, os canhotos podem ter um desafio nos músculos do pescoço, mas todos nós fazemos treinos extras para compensar isso.”

A curva mais comentada durante o fim de semana foi a de maior velocidade do circuito [feita em 7ª marcha e com o pé embaixo], sobre ela, Rubens também comentou: “Pessoalmente, acho a curva oito a melhor parte da pista, um teste real”.

Rubens se prepara para o treino.

Sofrendo com a potência dos motores Cosworth, o piloto brasileiro vem testando novas “armas” em seu FW32 na busca por melhoras que, embora pareçam distantes, não tiram a confiança mútua entre ele e a equipe nem parece tirar entre a equipe e a fornecedora de propulsores.

Os motores enfrentam problemas com degradações durante as corridas (lembrando que cada um deve durar por 4 GPs), mesmo assim, Adam Parr (CEO da equipe) negou, junto a Sam Michael, qualquer conversa sobre substituição na temporada de 2011: “Estou feliz com eles e não converso com mais ninguém.” A Cosworth apresentou uma atualização aos carros da Williams, mas sem melhora visível.

Treinos Livres

Treinos Livres.Como em qualquer sexta-feira de treinos, foram realizados testes focados a encontrar o acerto do carro para a corrida. Neste, em especial, avaliou-se o desgaste dos pneus e foram verificadas alternativas novas como dutos de freio, porém a equipe retomou o uso do aerofólio dianteiro utilizado no GP de Barcelona (devido aos acidentes do último GP, a equipe não conseguiu preparar cópias do dispositivo utilizado em Monte Carlo). Assim, Rubens, ainda com o motor em maior tempo de uso que o do companheiro, Nico Hulkenberg, ocupou a 17ª colocação nas 2 sessões da sexta-feira e no treino livre de sábado, com os tempos de 1min31s464, 1min30s766 e 1min29s305, respectivamente.  

Na sexta-feira já havia o entendimento de um problema na embreagem e o carro da Williams ainda sofria com problemas de tração mas, como a Turquia exige pouco disso, no treino classificatório esperava-se melhor colocação do que o 17º cravado nas três sessões.

Classificação

No box da Williams.

Depois de um sábado difícil, Barrichello descreveu o resultado da classificação como “o pior rendimento da Williams na temporada”, 15º no grid de largada, terminou sua participação no Q2 com o tempo de 1min28s392.

Entre os problemas apresentados, ele voltou a destacar a falta de velocidade dos carros não só no final da reta (onde se pode melhorar com uso da asa traseira). “Não dá pra falar que é um problema de motor ou aerodinâmico. Com o calor a gente não sofreu muito, mas olhando no final de reta a velocidade é ok, já na saída de curva a gente perde mais do que deveria.”

A corrida

Rubinho retomando posições perdidas na largada

Uma largada problemática fez parecer que as questões envolvendo a embreagem desde a sexta-feira não foram totalmente solucionadas. Rubens perdeu 4 posições e as retomou antes da curva oito, mas na tentativa de se esquivar de uma confusão maior, caiu pra último. “Na hora em que fui por fora do Buemi, ele estava com pneu furado, quase me tocou e tive que sair da pista”.

Rubinho retornou à 16ª posição antes de seu pit stop na volta 11, mas a estratégia de parar e voltar à frente das Lotus não funcionou como deveria, o carro teve um problema na roda dianteira esquerda durante sua parada e ele acabou perdendo tempo.

Com grandes ultrapassagens, porém na disputa por discretas posições, Barrichello (ainda mantendo-se na pista com os abandonos à sua frente) cruzou a linha de chegada na 14ª posição.

Rubens recupera a posição sobre Nico.

Para a etapa do Canadá, a equipe de Grove trabalhará na introdução de um novo pacote aerodinâmico e uma conciliação melhor entre as relações de marcha visando melhor desempenho com os motores (que respondem melhor a giros mais altos).

Para a 8ª etapa do calendário, Rubens mantém a linha: “Tenho os pés no chão. Até o momento em que eu vir a melhora não posso falar, mas tem coisa vindo por aí. Em nenhum momento esse ano a gente vai deixar de trabalhar com esse carro. Não acredito que a gente tenha condições de ganhar corridas, mas sim de fazer melhor”.

Nessa mesma linha, a torcida segue… nos vemos em Montreal, que aliás, traz grandes memórias aos torcedores de Barrichello

Abraços.

Nota: *A suspeita da FIA sobre a causa do acidente envolvendo o piloto foi confirmada como sendo por um rasgo no pneu de Rubens ocasionado por uma tampa mal fixada no circuito de rua e não por uma inexplicável quebra na suspensão traseira como especulado anteriormente. “Vi algumas imagens do carro do Liuzzi e realmente, quando eu passo, a tampa do bueiro já estava fora do lugar. A razão principal é que, quando eu passo, a tampa levanta e bate na roda traseira, quebrando o aro e me puxando para o lado. Essas são as razões, não foi nenhum problema de suspensão; só um susto danado”, afirmou Rubens.

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