Após dois GP’s iniciados com grandes expectativas no Bahrein e Austrália, mas sem objetivos alcançados, eis que Lucas Di Grassi chega à Malásia com a mesma expectativa das semanas anteriores, completar um grande prêmio.
Os problemas hidráulicos nos quais tanto perseguem Di Grassi parecem ter sido solucionados pela Virgin, junto com a confiabilidade do carro, que vem sendo trabalhada a cada dia.
Mas com todos os problemas enfrentados desde o inicio da pré-temporada até a corrida da Austrália, não vemos um Lucas abatido, mas sim motivado e em busca de evoluções e melhores resultados. Algo que é fundamental para um piloto.
O próprio Lucas garante que o VR-01 está em evolução e que a equipe vem trabalhando ao máximo para garantir a confiabilidade e a garantia de um carro de certa forma competitivo em relação às rivais novatas, para que o primeiro objetivo seja alcançado. “Nossa meta aqui é terminar a corrida, e vamos fazer tudo que for possível no fim de semana para conseguir isso”, disse Di Grassi. Em seguida, o piloto falou de um dos problemas da Malásia, o clima. “É um teste real sobre o que o calor e a umidade podem fazer comigo e com o carro.”
Iniciam-se os treinos livres e Lucas já sente uma evolução positiva no carro, fecha o 1º treino-livre na 21ª posição, 0s404 atrás de seu companheiro Timo Glock. Já no 2º treino-livre, Lucas fechou na 22º posição, mas dessa vez à 0s097 de Glock. Em ambos os treinos, os problemas hidráulicos desapareceram e a confiabilidade do carro começou a aparecer, deixando o piloto satisfeito. No 3º treino-livre que antecede a classificação, o trabalho foi de preparação do carro para a classificação, algo comum neste treino, o foco é totalmente desviado em muitas equipes. Permaneceu no grupo de trás, mas satisfeito com o trabalho apresentado.
Mas, eis que a vida do jovem Lucas Di Grassi não poderia ser só de alegrias na Malásia, os problemas hidráulicos voltaram, impossibilitando a participação efetiva do brasileiro no encharcado treino classificatório. Assim, o brasileiro largará na última posição, ao lado do seu compatriota Bruno Senna.
A expectativa para a corrida é de tempo seco até a metade e depois chuva, tempestade, tremores de terra e furacões, assim dando mais emoção para a corrida.
Carros alinhados, luzes vermelhas apagadas, é dada a largada!
Como já é de praxe, Lucas larga bem e já na primeira volta pula da última posição (24º) para a 19º. Largada surpreendente do brasileiro, confirmando sua agressividade e habilidade.
O brasileiro segue sua jornada na corrida, consegue passar da 4ª volta, na qual foi seu limite até agora no campeonato. Com isso, as expectativas para o final da etapa malaia é que seja positiva.
Lucas segue ganhando posições, principalmente devido ao abandono de concorrentes, já que apesar da visível evolução do belo carro da Virgin, falta ritmo compatível com as demais equipes já estabelecidas, como a Toro Rosso por exemplo. Quando digo belo carro, é por fora. Por dentro, precisa de muita coisa ainda, mas está melhorando.
Mas voltando… A corrida era boa para o brasileiro, até que Kovalainen tenta ultrapassá-lo, perde o controle do carro e acaba acertando a asa dianteira do carro brazuca. Os danos não afetaram o desempenho do brasileiro, que continuou na corrida bravamente, mantendo seu carro em disputa e batalhando para a eficácia e realização do objetivo proposto pelo piloto e equipe durante o final de semana.
Eis que chega o termino da corrida, com vitória de Vettel e Massa assumindo a liderança do campeonato, mas com Lucas Di Grassi completando seu 1º GP NA HISTÓRIA DA FÓRMULA 1.
A felicidade é clara, evidente, soberana. Não só dele, mas como de toda a equipe. Mas a felicidade apresentada pelo jovem é de certa forma, linda.
Algumas frases do Lukita merecem ser evidenciadas. Como:
“Ter terminado a primeira corrida nessa situação de calor, nessa pista que desgasta o carro e o piloto, sem dúvida foi um passo adiante. Acho que foi um ótimo resultado”.
“Na primeira volta fui de 24º para 19º, quase bati com o Rubinho, chegou bem perto. Tive de dar uma tirada de pé. Foi meio que no susto, mesmo assim consegui passar mais gente.”
“Nas últimas dez voltas, como tinha margem grande para o próximo carro, tive que economizar o máximo de combustível. Nosso objetivo era terminar e a gente já sabia que éramos a melhor das novatas naquele momento.”
“Tem sido uma longa espera, e nós tivemos alguns momentos difíceis nos últimos meses, mas sabemos que estamos progredindo e podemos alcançar coisas melhores. Estamos competitivos, e é bom sentir que nossa luta começou realmente agora. Foi uma pena Timo abandonar, mas eu penso que agora nós podemos almejar juntos em fazer uma grande corrida”.
Pelas palavras, precisa dizer mais alguma coisa? Santa felicidade!
Não sei o que o engenheiro deve ter dito no final da prova, mas com certeza falou algo do tipo: WOW! Congratulations Lucas! Beautiful work, beautiful race. We go to grow!
Colocando-me no lugar do engenheiro, diria o mesmo.
Resumindo, bela corrida do brasileiro. Saiu lá de trás, foi agressivo na largada e soube administrar a corrida com o carro que tinha. Enfim, é piloto de Fórmula 1. Parabéns.
Próxima etapa é dia 18 na China. E na madrugada. Aqui no Brasil, é claro!
Abraços!




Ótima análise do desempenho (ou não) do carro da Virgin que o Lucas Di Grassi pilota e que com muita luta conseguiu completar a 1º corrida de Fórmula 1 da carreira, agora é buscar performance para baixar enfim os tempos.
Comentários exatamente bem colocados! Texto muito bem redigido! Lucas agressivo como sempre (e quando pode, vale ressaltar!). Não é facil ter essa postura com um carro que não rende, mas parece que agora vai né?! Ou ao menos é o que desejamos!
Que a Virgin consiga melhorar a cada GP! AMÉM! rs
O Lucas foi muito bem nesse fim de semana, apesar dos problemas na classificação. O importante é que a Virgin terminou um GP pela primeira vez com ele no comando e com um desempenho até melhor do que o da Lotus. Agora é trabalhar a confiabilidade do carro. Vai aprender muito ainda o garoto.
Muito bom o texto. Só faltou ressaltar mais o fato de ter que economizar combustível.
Já a partir da volta 28 ele claramente precisou reduzir o ritmo.
E como a própria declaração dele aponta, nas últimas 10 voltas teve que tirar bastante o pé. Eu acompanhava também pelo live-timing e ele precisou virar em média 5s ou 6s mais lento do que poderia.
Claramente a pŕopria equipe temia que fosse impossível terminar com esse tanque.
E ainda tem a questão dos pneus. 1ª corrida completa e ele soube cuidar muito bem deles.
Fez apenas uma parada e não teve problema nos pneus em momento nenhum.
Bem, ele sempre foi um mestre em poupar o equipamento, desde a época da GP2.
Resumindo: escepcional a corrida dele.
Importante agora pensar na China,é claro, mas o objetivo ali será apenas terminar novamente, pois o desempenho será mais uma vez limitado pelo tanque de combustível pequeno e o problema no pescador (que o faz ir pro quali com 50Kg a mais de combustível).
Mas o foco principal está na Wirth Research, onde o tanque novo e maior está sendo construído.
E é claro, para instalar o tanque maior será preciso mudar muitas outras coisas, em tese seria praticamente construir um carro novo.
Disseram que fica pronto para a Espanha. Sinceramente, acho pouco tempo e estou preocupado de que não façam direito.
Por que? Essa mudança leva tempo e principalmente dinheiro, o que a equipe não tem (apesar de ser patrocinada por um milionário, a Virgin tem o menor orçamento da categoria).
Eles tem dois caminhos para recontruir o tanque:
- um mais demorado, mas com maior segurança de sucesso e também maior gasto de dinheiro, obviamente.
Seria praticamente reconstruir todo carro. Não farão isso, e não tem como fazer.
- E outro: um processo mais rápido, menos partes reconstruídas, muitas podendo apenas serem modificadas, e com gasto bem menor de dinheiro.
O fato de tudo estar pronto já para o GP da Espanha deixa claro que esse será o caminho tomado.
O que pode ser afetado com isso: novamente a confiabilidade do carro.
Se não houver nenhum grande problema com a atualização do tanque, o carro tem tudo para evoluir constantemente a partir do GP da Espanha.
Vamos torcer para que dê tudo certo.
O Lucas tá feliz da vida, virou mesmo um piloto de F-1 vendo a bandeira quadriculada pela primeira vez. Agora ele precisa afinar a evolução do carro e cuidar para não ficar muito distante do Glock.
fabianoaqueiroz.net