[Coluna Barrichello] Se fosse fácil, não seria Barrichello.

Na última coluna, retratando o GP da Austrália, eu utilizei o título: “Escalando os degraus” e, por este Grande Prêmio, em terras quentes da Malásia, poderíamos considerar que aquilo derrocou mas, não vamos. Bem, tudo é relativo, você está parado em frente o computador lendo esta coluna ao mesmo tempo em que gira em torno do Sol (tá legal, chega de Física… rs). Se consideradas as circunstâncias de classificação e prova, chegaremos ao mesmo pensamento do jovem, porém sábio, “@rubarrichello”.

Você já deve saber qual foi o final da corrida deste domingo mas… vamos ao início da semana do piloto pra poder ter uma visão mais crítica sobre o assunto.

Logo que encerrou os trabalhos no GP da Austrália, e após jantar com os amigos Giancarlo Fisichella e Robert Kubica, Rubens voou para a Malásia, onde intenso calor lhe esperava.

Sam Michael conversa com Rubens em Melbourne

Rubens on hole 11

O piloto da Williams, que finalizou as duas primeiras provas na zona de pontuação e somou 5 pontos na classificação geral, deixou o circuito de Melbourne tendo Sam Michael, Diretor Técnico da equipe, tecendo-lhe merecidos elogios: “Por que Rubens nunca foi campeão mundial?” questionou Michael à revista Auto Motor und Sport da Alemanha, se referindo à longa carreira de Barrichello, recordista de GPs disputados. “Para nós, ele é o melhor piloto possível. Leva o carro até o final, não comete erros, aproveita todas as oportunidades em seu caminho, é incrivelmente bom no desenvolvimento do carro e, apesar de sua idade (idade? Ele é um garoto, Sam!), ainda é extremamente rápido” disse.

Na quarta-feira, Rubinho participou de trabalhos publicitários pela equipe, mas como ele mesmo afirmou, ainda bem que foi em algo que adora: o golfe.

Escalado pela FIA para a entrevista coletiva da quinta-feira, em Kuala Lumpur, o brasileiro teve de driblar perguntas nada convenientes sobre o [relativo mau] desempenho de Michael Schumacher neste início de temporada. Mais uma vez, se mostrou infinitamente superior ao jornalismo “fraquinho” (pra não escrever o que realmente me deu vontade) respondendo com outra pergunta sensacional: “Por que esta pergunta para mim? Esta pergunta é para a Mercedes”, ao invés de opinar sobre o ex-companheiro na Ferrari, Rubens preferiu destacar o desempenho de Nico Rosberg, o outro piloto da escuderia.

Coletiva na Quinta-feira

Esperando, e já sentindo, o calor de Sepang, Rubinho previa trabalho “guerreiro” da equipe para aprimorar a performance do FW32. Os problemas sofridos desde o GP do Barhein ainda vêm tentando ser solucionados. Rubens também falou sobre isso na coletiva, além de sua opinião sobre o circuito: “Eu realmente gosto desta pista. Um dos melhores traçados do mundo… Fisicamente, é a mais difícil também. Então, tudo somado é um grande fim de semana para quem gosta de velocidade.
Barrichello também manifestou preocupação com a possibilidade de chuva, que vinham atingindo a região há dias, justamente na hora em que seria realizada a prova.

Chove na Malásia

Se na corrida chover o que choveu hoje à tarde, iremos precisar de boia”, brincou.

Buscando na memória, o GP da Malásia do ano passado teve que ser interrompido por causa da chuva, e quando o tempo melhorou, perto das 18h local, já não havia mais luz natural.

Treinos Livres

Já na sexta-feira, Barrichello sabia da tarefa difícil que lhe esperava para chegar entre os dez primeiros na classificação. Ele foi o 18º colocado na primeira sessão, e na segunda terminou com o 16º melhor tempo, mesmo melhorando seu tempo em 1 segundo e meio à tarde (de 1min38s278 para 1min36s813).

Treinos Livres - Sexta-feira

Mas, enfim, a equipe teria a noite e a madrugada para trabalhar em seus carros. “Nossa sexta-feira foi um pouco apagada, estamos perdendo muito de velocidade se comparados com todo mundo e ainda não sabemos explicar se é por falta de potência, se é por muita asa do carro… O balanço do carro não é ótimo, mas não é tão ruim para estarmos a 2 segundos atrás”, analisou.

Classificação

Apesar do desafio maior em correr com um clima instável (intenso calor e tempestades), o piloto sabia que a estratégia correta e um pouco de sorte poderiam alterar as previsões de resultados da corrida no domingo, mas também tinha a certeza de que desenvolver uma estratégia favorecendo o time durante o treino classificatório é um desafio maior do que parece. “Se você muda os pneus, a corrida vai ser parada de qualquer forma se chover, então você acaba perdendo. Uma boa estratégia precisa ser calculada aqui.”

"É como fazer esteira na sauna"

Vindo do 3º Treino Livre, pela manhã, com o tempo de 1min34s504 (0s998 do 1º tempo) que lhe permitiu a 9a colocação, o filho do Seu Rubão conseguiu neste sábado sua melhor colocação no grid de largada na temporada, debaixo de chuva, se classificou na 7a posição.

Apesar da pista molhada e a chuva que caía em certos momentos, o treino teve somente uma interrupção durante o Q3, pra onde avançou nosso piloto com os tempos de 1min51s301 e 1min48s371 nas classificações 1 e 2, respectivamente.

Considerando a “loteria” que sempre reina em classificações nestas condições, apesar de contente, Rubinho disse que deveria ter saído para a pista, na sua última tentativa de fazer o melhor tempo, com pneus intermediários no lugar dos pneus de chuva. “A pista estava boa na primeira volta, mas eu tive tráfego, então deixou a desejar um pouquinho, pois na segunda volta, quando eu consegui emplacar o que eu queria, o pneu já não estava mais lá”. Sem o tráfego, que comprometeu seu tempo, sua primeira volta seria abaixo de 1min51s, isto o colocaria entre o segundo e o terceiro (Rubens se classificou com o tempo de 1min51s511), “… mas como na F-1 e na vida não tem ‘se’, eu estou muito feliz!” afirmou, considerando ainda que, no seco, P7 não seria possível.

Com chuva, Barrichello garante 7º lugar no grid de largada.

A corrida

Na largada, o carro de Rubens foi para o ponto morto quando ele soltou a embreagem, isso o deixou parado no grid por alguns segundos. Atenção: embora pareça em primeiro momento, é bem diferente do que aconteceu na temporada passada com a Brawn, ali o carro não ia para o ponto morto e sim para o “anti-stall” que é um meio termo. “Foi bem perigoso, pois vi o Di Grassi (que vinha atrás próximo a 200 km/h) muito perto do carro, graças a Deus, foi tudo bem”. Barrichello informa ainda que o companheiro Nico Hulkenberg quase teve o mesmo problema e destaca que, entre os problemas durante o fim de semana, este não era esperado.

Rubens cai para a última posição na largada

Da última posição, Rubinho corria atrás do prejuízo chegando a andar atrás de Ferrari e McLaren e, antecipou sua parada, já na 5a volta, com a intenção de ultrapassagem “No fundo do pelotão, nós tentamos uma estratégia diferente para nos levar de volta para cima, mas nosso carro não era competitivo”. Como o carro não mostrou o rendimento esperado, decidiram por uma segunda troca na volta 41. De acordo com Rubinho o carro comportou-se de forma diferente, saindo muito de traseira durante toda a prova. As previsões apontavam pra chuva antes ou depois da largada mas, nada disso, foi toda no seco. O que tirou qualquer chance de recuperação do carro azul.

Momento descontraído dos brasileiros na F1.

Rubens completou a 53a volta na 12a posição. Contrariando as duas últimas corridas, não marcou pontos mas, de cabeça erguida, em momento de descontração com os outros pilotos brasileiros, brincou: “A porcaria do nosso carro ainda não está legal” em referência à sua Williams e à Virgin de Lucas, aquém se comparadas à Ferrari de Felipe Massa mas, na verdade, num contexto de brincadeira com o Di Grassi. “Quando o passava durante a prova, brinquei que ele é muito bom piloto para o carro” afirmou, completando que seu carro tem atitudes boas e coisas que precisam ser melhoradas, mas longe de ser uma ‘porcaria’. Portanto, nada de escândalos aqui, queridos fãs desesperados.

A pista não ajudou o estilo do carro, mas, de qualquer forma, se tivesse largado normal e feito a primeira curva em sétimo, teria feito pontos.”

No twitter, @rubarrichello escreveu: “Dia ruim só serve para melhorar, e é dessa forma que encaro hoje.”
Para a próxima etapa, em Xangai, Rubens espera contar com o tempo e as evoluções da Williams: “Se os dentes da chave foram certinhos na porta, podemos ir por aí.”

Novamente, obrigada pela visita… espero que, como o Rubens, você não tenha desanimado, afinal é apenas o início de uma longa temporada.

Grande abraço e, até dia 18, com o Grande Prêmio da China.

Luiziana Gonzaga

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