Um sonho de padaria, uma novela mexicana (ou espanhola) e um conto no deserto!
Assim podemos começar a descrever o que foi a longa caminhada de Bruno Senna até o GP do Bahrain em 2010.
Ao nascer na família Senna, Bruno já tinha mais ou menos uma noção do que seguiria como carreira, porém com a fatalidade ocorrida em 1994, perdeu o rumo! Abandonou as pistas, não por ordens, mas por naturalidade e momento que a família vivia!
Mais de 10 anos depois, Bruno reascende a paixão por velocidade e, surpreendendo toda a família, decide voltar às pistas!
Com esse sobrenome, não seria muito difícil e a F1 seria questão de tempo. Entretanto, ninguém imaginava que justamente na porta da categoria, demoraria tanto tempo como aconteceu.
Depois de ser praticamente aprovado para ser companheiro de Jenson Button na Honda em 2009, foi surpreendido junto ao resto do mundo com o abandono da montadora da categoria e a preferência de Ross Brawn por alguém mais experiente no projeto da BrawnGP! Sendo assim, perdeu a vaga para Rubens Barrichello e tirou, obrigatoriamente, um ano sabático!
Para 2010, parecia estar tudo certo com a Campos Meta, cujo dono – Adrian Campos – já conhecia seu tio (preciso falar o nome do “tio”?) quando disputaram a temporada de 1987 da Fórmula 1. Seria a estréia do sobrinho de Ayrton e uma das mais aguardadas por todos no Paddock da F1.
A pré-temporada deste ano trouxe a Bruno Senna momentos de angustia e incertezas! Estaria o final de 2008, quando Senna fez o “Vestibular Honda” junto a Lucas DiGrassi antes da montadora abandonar a categoria, se repetindo em outra equipe e outra situação? Seria Bruno novamente obrigado a ficar mais um ano parado?
Com a resolução deste problema, Bruno Senna desembarcou no deserto ainda com incertezas, mas muito mais aliviado e contente por saber que sua equipe esta lá e principalmente, por possuir um carro pra pilotar. Se sabia se tudo funcionaria bem ou não, ai já é outra história.
Bruno chegou ao circuito na sexta-feira com grandes, porem modestas expectativas! Depois de ouvir o moto de seu carro pela primeira vez na quinta-feira, queria saber do que seria capaz. Com base nas outras estreantes que estavam a 4s ou 5s das demais equipes do grid, Bruno queria sentir qual era sua real posição entre todos.
Quantos segundos de diferença estaria das demais equipes? O carro quebraria? Qual seria o primeiro problema?
Diante das duvidas, Bruno Senna começou as atividades do seu primeiro final de semana como piloto oficial de Formula 1.
Nos treinos livres ficou provado o quanto fez falta uma sessão de testes sequer! Além dos 11s mais lento que o melhor tempo do dia, Bruno ainda teve problemas mecânicos com uma porca soltando-se da roda de seu carro em uma freada mais forte. Situação até esperada para um carro novo que nunca havia ido à pista.
Completando poucas voltas, Senna não fez muita coisa nos treinos livres e sua frustração começou logo cedo.
Já no sábado, era dia de treino classificatório. O que esperar além do ultimo posto do grid? Apesar do óbvio, Senna começou a ter boas noticias! Largou em penúltimo sendo 2s mais rápido que seu companheiro de equipe. Considerando apenas esse fato, é algo a se comemorar, mas pra ficar feliz mesmo, temos que ignorar o fato de que Karun Chandhok foi pra pista pela primeira vez com seu carro no sábado um pouco mais cedo, no treino livre.
Senna foi eliminado já no Q1 – após marcar o 23º tempo – junto as outras equipes estreantes (Lotus e Virgin) e do espanhol Jaime Alguersuari da Toro Rosso. O seu HRT ainda é pior carro entre as estreantes, um alivio para as outras duas equipes e nada demais , acredito, para a própria HRT pois o carro acabou de nascer e foi pra pista só ontem. Considerando isso, nenhuma surpresa.
No domingo, o objetivo de Senna era andar o máximo possível de voltas para realmente conhecer o carro e começar a aprender melhor o seu funcionamento e onde pode e deve melhorá-lo. Praticamente, a corrida do Bahrain serviu como o primeiro teste do carro e uma preparação para o restante da temporada.
Senna largou dos boxes e vinha andando com tempos constantes, apesar de altos, até abandonar a corrida 17 voltas após a sua largada com problemas hidráulicos. Senna ocupava a 19º posição no momento do seu abandono. Resultado até animador, mas o fato é que só estava nesta posição devido ao abandono dos demais pilotos.
Apesar de tudo o que aconteceu, Bruno Senna pareceu estar plenamente ciente da jornada que embarcou ao assinar com uma estreante e de todos os problemas que teria no inicio da temporada, principalmente após toda a novela durante a pré-temporada. A falta de competitividade, ser muito mais lento que os demais, problemas mecânicos, hidráulicos, elétricos entre todos os outros tipos de problemas possíveis já era algo esperado não só pelo piloto, mas toda a equipe e também por todo o publico.
Carlos Gil, da Rede Globo, entrevistou o rapaz logo após o seu abandono questionando sua opinião sobre a sua performance, como o carro se portou enquanto funcionou e ao problema que o tirou da pista e também fez menção aos comentários de Galvão Bueno, Reginaldo Leme e Émerson Fittipaldi sobre a emoção de ver o nome”Senna” novamente na F1.
Em sua resposta, Bruno falou de forma segura sobre tudo o que o cerca referente às novidades e aos problemas e dispensou as comparações e emoções externas que não o ajudam em nada nestes momentos complicados. Simplesmente ignorou esta parte da pergunta e não disse nada a respeito deixando claro que quem esta na pista é o piloto Bruno Senna e não o menino que ainda é o “sobrinho de Ayrton Senna”.
As lembranças são inevitáveis, afinal qual fã de F1 que não se emocionou ao ver aquele capacete com quase a mesma pintura lendária que nos trouxe tanta emoção por tanto tempo? Eu tive uma sensação incrível de nostalgia ao ver aquele olhar concentrado dentro do capacete! Ver o carro caindo da garagem com aquele capacete em movimento foi realmente muito emocionante.
A partir daqui, Bruno tende a se concentrar cada vez mais junto à equipe para melhorar o seu carro, o que naturalmente causará sua evolução como piloto de F1 com maiores aprendizados de ajustes e evolução de equipamento propriamente dita. Almejar pontos e resultados competitivos é algo natural para um piloto com espírito vencedor como Bruno, mas a hora é de ser realista e, de acordo com o momento vivido pela Hispania Racing F1 Team, essas “conquistas” só chegarão em 2011.
Obrigado a todos pelo tempo dedicado a este que vos escreve!
Muita velocidade a todos e até a próxima.
Créditos das imagens: http://f1.gpupdate.net/en/








parabens pelo primeiro post… .e que venham muitos mais…. primeiramente quero dizer que precisamos torcer para que a HRT tenha um carro confiavel, depois em melhorar desempenho.
O que Bruno tem que continuar fazendo é isso que ele está demonstrando, tranquilidade e paciência. Sensato e inteligente em suas declarações. Continuar aprendendo a cada dia, cada treino, cada GP. Uma hora ele estará em uma equipe de ponta e com certeza poderá mostrar todo o seu potencial.
Parabéns pela coluna. #TamoJunto
O Bruno ainda precisa provar que é piloto. por enquanto, nao passa de alguem que entrou na F1 sem curriculum e com dinheiro. Impressionante a diferença de tratamento dada a este rapaz e ao Nelsinho, que tinha uma carreira consistente até os fatos ocorridos. Impressionante como a midia continua sendo a mesma hipócrita, interesseira e fabricante de mentiras como sempre foi desde a época do grande Nelson, o maior piloto brasileiro de F1.
André,
Vamos esperar para ver se o Bruno Senna enfia o carro na parede de propósito… Creio eu que não. Quanto aos títulos do Piquet Jr, me aponte um que tenha sido sem ser com a equipe montada pelo papai.
Você está invertendo os valores. Piquet Jr teve estrutura MONTADA pelo pai desde o Kart. Já o Bruno Senna, correu em equipes que não eram dele.