[Coluna Barrichello] Escalando os degraus

Na segunda etapa da Fórmula 1 de 2010, realizada neste dia 28 de março em Melbourne, na Austrália, o Brasil certamente não se incomodou de trocar o dia pela noite. Foi uma boa corrida, como sempre promete o circuito de Albert Park e, para Rubens Barrichello não foi diferente, o piloto brasileiro já esperava por uma prova mais competitiva do que a disputada no Bahrein no último dia 14, onde a monotonia pareceu tomar conta sob o olhar de quem assistiu, embora para o piloto seja bem diferente já que existe uma briga o tempo todo com o próprio carro.

Preparando-se para o Grande Prêmio da Austrália, Barrichello revelou que o circuito de Albert Park é um dos melhores para se correr. “É uma das pistas que mais gosto, não só pelo traçado, mas também pelo ambiente relaxado. Parece que não estou em uma pista de rua, pois têm curvas de alta velocidade e uma boa área de escape”, relatou o brasileiro, que garantiu uma dobradinha histórica para a Brawn GP no ano passado, chegando em segundo lugar na primeira prova disputada pela estreante, herdeira do espólio da Honda.

Barrichello conquista o pódio em 2009

Rubinho, na quinta-feira, já mostrava segurança de maior competitividade com base no trabalho da equipe. “Nessa F1 moderna temos mudança a cada etapa, seguramente. Nós tivemos alguns problemas no Bahrein em relação ao calor que foram resolvidos para Melbourne e para futuras provas de calor intenso. Teremos também algumas pequenas evoluções aerodinâmicas. Com tudo isso, espero ter um fim de semana mais competitivo.”, disse o piloto.

Treinos Livres

Pouco antes do início dos treinos, “@rubarrichello”, como é encontrado no twitter, enviou a seus seguidores, uma foto do capacete que usaria neste fim de semana. Com a identidade sempre preservada, Rubinho arrancou elogios dos fãs com uma bela combinação em dois tons de branco e azul “a La Williams”.

"Em primeira mão pra vocês, twitteiros... o capacete da Austrália." (via twitter)

Durante a manhã, enquanto a pista ainda estava seca, o brasileiro fez uma boa volta no circuito de Albert Park. Mesmo com o mau tempo e a falta de aderência dos pneus no asfalto, que prejudicaram a 2ª bateria de testes, o piloto da Williams fechou o dia com o 9º melhor tempo (1m26s904) e destacou que, por um bom trabalho realizado e, aproveitando o melhor momento para sair à pista, a equipe conseguiu coletar as informações necessárias para a classificação no sábado (27), mas reiterou que ainda havia muito trabalho para alcançar o Q3.

A Classificação

Acreditando numa evolução de seu equipamento, Rubens saiu do 3º Treino Livre (onde baixou seu tempo para 1m25s852), almejando uma melhor posição de largada do que a conquistada em Sakhir (11º) e trabalhando duro para isso. Com 1m25s702 e 1m25s085 nas classificações 1 e 2, respectivamente, o mais experiente piloto da F1 partiu para o Q3 com a já garantida melhor posição de largada mas, com a ousadia do “um pouco mais”.

Rubinho durante os treinos classificatórios

Durante a transmissão televisiva, percebemos um certo descontentamento de Rubens em relação ao tráfego encontrado durante suas tentativas de volta rápida. Era notório que o grande número de carros mais lentos na pista viessem a prejudicar os demais e, como acaba sendo uma preocupação apenas do piloto prejudicado, Rubinho pediu à equipe cuidado ao determinar seu momento de saída à pista.

Com sua sessão completa e um bom tempo conseguido nos primeiros minutos do Q3, Barrichello garantiu sua posição de largada, na 4a fila, com o tempo de 1m25s217. Contente com o 8º lugar no grid, mas com os pés no chão, declarou em entrevista que não se trata apenas de melhora de seu carro, já que este se mantém ao mesmo 1 segundo de diferença dos carros da Red Bull, mas também de uma certa estagnada das demais equipes que compunham o G4.

A corrida

Horas antes da corrida, Rubinho avisou da chuva que caía em Melbourne e pediu o apoio da torcida que estava a postos e visivelmente animada pelo reconhecido talento do brasileiro em pista molhada. “Boa noite Brasil… alguns pingos aqui na pista. Torçam daí que eu acelero daqui…” escreveu.

Desfile dos pilotos

O próprio circuito de Melbourne já garante um espetáculo. É um circuito de rua, porém com características particulares que garantem curvas rápidas e possui ondulações que deixam a expectativa de confusões entre os carros. A largada já deu uma boa idéia disso e, tentando se livrar do primeiro toque, que deixou o asturiano Fernando Alonso na contramão já na primeira curva, Rubens caiu para a 11a posição.

Rubens livra-se da confusão na largada

Com a vantagem de manter seu carro intacto, ganhou a posição de Michael Schumacher que largou à frente e teve sua asa dianteira danificada forçando-o a uma parada antecipada nos boxes, (como se trata de uma coluna informal posso falar) no twitter a torcida “madrugal” comemorava: “Cortaram as asinhas do Shumacher! (risos)”. Brincadeiras à parte, a corrida de Rubens foi uma grande corrida dentro do que se podia esperar. A chuva parou e uma troca extra de pneus se fez necessária, onde as posições se alternavam na pista.

pit-stop

pit-stop

Rubinho correu atrás do prejuízo com constantes voltas rápidas e, diminuindo a cada uma delas sua diferença para Pedro de La Rosa, fez uma belíssima ultrapassagem sobre o piloto da Sauber na volta 53.

Rubens conquista mais 4 pontos na temporada 2010

Com a meta de alcançar Vitantonio Liuzzi, Rubens continuou com bom ritmo durante as voltas seguintes e recebeu a bandeirada na 8a colocação, com apenas 0,6s do piloto italiano depois de ter que andar muito forte para ganhar a posição de Mark Webber, quando o piloto da Red Bull entrou no box.

Sobre o resultado, foi comemorado por Barrichello, o brasileiro teve uma atuação sem erros e ainda protagonizou uma bela ultrapassagem. Com isso, soma mais 4 pontos e ocupa a 11a posição na classificação geral do campeonato, sendo o responsável por todos os 5 pontos da equipe Williams.

Embora esperasse conquistar mais pontos, esclareceu que, nestes momentos em que o carro ainda não é competitivo o suficiente, é tudo aquilo que a equipe pode esperar. Afirmou que os problemas com as trocas de marcha ainda existem e que está focado na melhora deste, ressaltou ainda que a potência do motor com tanque cheio ainda é uma questão a ser melhorada: “Estou liderando um projeto que é ambicioso, e espero que a gente tenha resultados mais expressivos do meio da temporada para frente.” disse.

À torcida, cabe acreditar no talento e na ambição do nosso piloto que, no que depende dele, está sempre a nos gratificar.

Vamos para a próxima… Então, nos vemos na Malásia.

Abraço.

Luiziana Gonzaga

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